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Cobrança de dívidas nos Emirados Árabes Unidos

O procedimento de cobrança de dívidas nos Emirados Árabes Unidos começa com uma análise dos indicadores financeiros do devedor, do seu ramo de actividade, do histórico da empresa, da disponibilidade de provas documentais da dívida, dos processos judiciais em curso e dos procedimentos de execução, bem como da possibilidade de contestação a dívida. Essa análise forma a estratégia que será utilizada para quitar a dívida.

Se o devedor não tiver processos judiciais em andamento ou decisões judiciais não cumpridas sobre cobrança de dívidas, e ele estiver ativamente envolvido em suas atividades, é aconselhável passar para a etapa de recuperação de dívida extrajudicial não formal.

Esta fase envolve negociações ativas com o devedor para chegar a um acordo sobre o pagamento dos créditos do credor ou outras opções de liquidação possíveis (por exemplo, devolução de bens, transferência de dívida para terceiros, troca de serviços ou bens).

A interação com o devedor inicia-se imediatamente após o envio da notificação por correio, e-mail, telefone ou mensageiros instantâneos. Este processo envolve comunicação intensa com o devedor, a fim de exercer pressão constante. A principal tarefa é estabelecer contacto com os principais decisores para conseguir o pagamento rápido da dívida.

O prazo médio para cobrança extrajudicial informal é de até 60 dias (exceto nos casos em que tenha sido acordado parcelamento para amortização da dívida). Caso esta etapa não traga os resultados esperados, ou após uma análise inicial fique claro que não é aplicável, deverá proceder à recuperação judicial.

O prazo prescricional varia de acordo com o tipo de dívida, mas em geral é de 15 anos. No entanto, em casos raros, pode ser de 5 anos, 3 anos ou um ano. A legislação não permite alteração dos prazos de prescrição especificados por acordo das partes. No entanto, o próprio facto de o prazo de prescrição ter expirado não impede a instauração de um processo ou a apresentação de uma reclamação de dívida, e o tribunal não pode estabelecer de forma independente o prazo de prescrição. As consequências de perder o prazo de prescrição no tribunal são aplicadas por iniciativa do devedor.

A legislação dos Emirados Árabes Unidos prevê a possibilidade de cobrança de dívidas através do tribunal, através da emissão de uma ordem judicial e através de consideração geral.

O procedimento para emissão de ordem judicial é aplicável aos pedidos de cobrança de dívidas com base em sua comprovação documental. Para realizar este procedimento, deverá apresentar ao tribunal o requerimento correspondente com a prova da obrigação do devedor de pagar a dívida. No prazo de três dias, é emitida uma ordem indicando o valor a pagar. Se a ordem não for submetida para execução no prazo de três meses, é automaticamente considerada inexistente. Se o valor da ordem estiver dentro do quórum final do tribunal de primeira instância, o devedor poderá recorrer no prazo de (15) quinze dias a contar da data da notificação da ordem, mediante apresentação de reclamação ao juiz que emitiu a ordem. Se o valor do despacho ultrapassar o quórum final, cabe recurso do despacho nos prazos e nos termos previstos para o recurso das decisões dos tribunais ordinários.

O procedimento ordinário judicial é realizado por meio da apresentação de uma petição ao tribunal. O prazo para apreciação do caso no tribunal de primeira instância é de 60 a 90 dias. Caso haja necessidade de designar um perito para considerar qualquer questão técnica do caso, o prazo poderá ser prorrogado. A decisão do tribunal de primeira instância entra em vigor no prazo de trinta dias a contar da data da sua adoção, salvo recurso.

O recurso contra a decisão do tribunal no procedimento ordinário é analisado dentro de trinta a sessenta dias. Como resultado da análise do recurso, o tribunal de apelação toma uma decisão que pode ser executada.

Cada parte no caso tem o direito de interpor recurso de cassação no prazo de trinta dias após a decisão do tribunal de recurso, desde que o montante da reclamação exceda AED 500.000. O período de processamento do recurso varia de 30 a 60 dias. Com efeito, um recurso de cassação não impede a entrada em vigor de uma decisão do tribunal de recurso, a menos que o tribunal decida fazê-lo sob determinadas condições.

Uma vez que a sentença judicial tenha entrado em vigor, desde que o devedor se recuse a cumpri-la voluntariamente, a execução deve ser iniciada com a apresentação do documento de execução na sede do tribunal de primeira instância. A duração do processo de execução varia de acordo com as especificidades de cada caso. Conhecer os bens do devedor encurtará significativamente o processo. No âmbito do processo de execução, o reembolso da dívida pode ser realizado através da anulação de fundos das contas do devedor, da apreensão dos bens móveis e imóveis do devedor com a sua posterior venda, do confisco dos bens do devedor a outras pessoas ou da prisão do devedor.

Se no prazo de trinta dias o devedor não conseguir garantir o cumprimento das exigências do credor a partir do momento em que surgem, e o montante da dívida exceder 100.000 dirhams dos Emirados Árabes Unidos, será possível iniciar um processo de falência para o devedor. Em caso de falência de uma empresa, todos os sócios dela devem estar falidos, e o pedido de falência inclui o sócio que saiu da empresa após esta ter deixado de pagar, desde que não tenha decorrido mais de um ano desde a data da sua saída. Se o tribunal decidir declarar a falência da empresa, poderá, por sua iniciativa ou a pedido de qualquer interessado, exigir a declaração de falência dessas pessoas, mesmo que não sejam cúmplices. O tribunal que tenha declarado a falência de uma sociedade pode ordenar ao administrador ou aos membros do conselho de administração, todos ou alguns deles, em conjunto ou solidariamente, o pagamento total ou parcial das dívidas da sociedade, nos casos em que a sua responsabilidade pelos prejuízos da sociedade esteja comprovada em de acordo com o disposto na Lei das Sociedades Comerciais.

Importa ainda ter em conta que a Lei das Transações Cíveis prevê a responsabilidade dos sócios da empresa de reembolsar a dívida da empresa com os seus fundos pessoais, dentro dos limites da participação de cada sócio. Além disso, se os documentos internos da empresa preveem a responsabilidade solidária dos sócios da empresa pelas dívidas da empresa, então eles pagam a dívida em conjunto.

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06.11.2024
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