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Cobrança de dívidas na Moldávia

A cobrança de dívidas na Moldávia deve começar com uma análise jurídica e financeira do devedor: situação registral, atividade real, processos judiciais em curso, procedimentos de execução abertos, possíveis garantias, bens, contas bancárias, créditos perante terceiros e sinais de insolvência. Para o credor, é importante avaliar não apenas a existência de contrato, faturas, documentos de entrega, correspondência e reconhecimento da dívida, mas também se o devedor pode contestar o valor, o prazo de pagamento, a qualidade dos bens ou serviços, os poderes dos signatários ou o próprio cumprimento do contrato.

Essa análise permite escolher a via adequada de recuperação: negociações, pedido escrito de pagamento, ordem judicial, procedimento para pedidos de pequeno valor, processo judicial ordinário, reconhecimento de decisão estrangeira, procedimento de execução ou processo de insolvência.

A cobrança extrajudicial normalmente inclui o envio de um pedido de pagamento, negociações com o devedor, acordo sobre um calendário de pagamento, verificação da viabilidade da solução proposta e preparação de documentos que possam ser usados posteriormente em tribunal. Nesta fase, o credor não deve confiar apenas em promessas verbais. É importante fixar a posição do devedor: se reconhece a dívida, se contesta o valor, se invoca defeitos dos bens ou serviços, se pede prorrogação ou se propõe outra forma de cumprir a obrigação.

A comunicação com o devedor deve ser documentada e juridicamente correta. Os pedidos de pagamento podem ser enviados para os endereços previstos no contrato, por correio eletrónico, pelos canais de comunicação utilizados pelas partes ou por outros meios que permitam provar o envio do pedido. O objetivo é obter pagamento, receber uma proposta concreta de acordo ou preservar a posição escrita do devedor antes do início do processo judicial.

O prazo prático da cobrança extrajudicial pode chegar a 60 dias quando as partes discutem pagamento, parcelamento ou outra solução comercial. Se o devedor ignora os pedidos, recusa reconhecer a dívida, transfere ativos, tem outros credores ou já participa em procedimentos de execução, a passagem para a via judicial não deve ser adiada.

Antes de iniciar a recuperação judicial, o credor deve avaliar os prazos de prescrição. O prazo geral de prescrição na Moldávia é de 3 anos. O decurso desse prazo não impede por si só o credor de apresentar uma ação, mas se o devedor invocar as consequências da prescrição, o tribunal pode rejeitar o pedido. Por isso, é necessário determinar com precisão a data de vencimento do pagamento, a natureza da dívida e os atos que possam influenciar a contagem da prescrição.

Para o credor, são especialmente importantes as provas de reconhecimento da dívida: pagamento parcial, pagamento de juros ou penalidades, pedido escrito de prorrogação, proposta de calendário de pagamento, prestação de garantia ou outro comportamento que demonstre o reconhecimento da obrigação. Esses documentos devem ser guardados separadamente, pois podem ser decisivos se o devedor levantar uma defesa baseada na prescrição.

Nos assuntos comerciais internacionais, é necessário determinar primeiro de que contrato surgiu a dívida. A Moldávia é parte na convenção relativa ao prazo de prescrição na venda internacional de mercadorias, pelo que o prazo de 4 anos pode ser relevante para créditos decorrentes de vendas internacionais de mercadorias quando essa convenção for aplicável. Esse prazo não deve ser automaticamente estendido a qualquer dívida internacional: empréstimos, serviços, construção, transporte, acertos societários e pedidos de indemnização devem ser avaliados segundo as regras aplicáveis à relação concreta.

Antes de recorrer ao tribunal, o credor deve normalmente enviar ao devedor um pedido escrito de pagamento, indicando a base da dívida, o valor, o prazo de pagamento, os dados do contrato, os documentos anexos e as consequências do não pagamento. Em certas categorias de litígios ou quando o contrato o prevê, a fase prévia pode ter importância obrigatória. Mesmo quando não constitui uma condição geral para apresentar um pedido pecuniário, o pedido escrito ajuda a demonstrar a boa-fé do credor, a data de apresentação da pretensão e a posição do devedor antes do litígio.

A cobrança judicial de dívidas na Moldávia depende do valor do pedido, da natureza do litígio e da qualidade dos documentos disponíveis. Para créditos pecuniários documentados e relativamente não contestados, pode ser utilizada uma ordem judicial. Para créditos pecuniários de pequeno valor, pode aplicar-se o procedimento para pedidos de pequeno valor. Se a dívida for contestada, exigir exame de provas, cálculos, perícia ou uma avaliação jurídica mais complexa, a recuperação é normalmente realizada por meio do processo judicial ordinário.

A ordem judicial é adequada para pedidos baseados em contrato escrito, faturas, documentos de entrega, documentos de prestação de serviços ou outros documentos que comprovem a existência da dívida e o vencimento do pagamento. O credor apresenta ao tribunal um pedido acompanhado das provas da dívida. Este procedimento é eficaz quando o crédito está bem documentado e o devedor não dispõe de objeções fortes quanto ao mérito da obrigação.

Após a apresentação do pedido, o tribunal examina os documentos sem realizar um julgamento completo, sem convocar as partes para prestar explicações e sem elaborar ata de audiência. A ordem judicial é enviada ao devedor, que pode apresentar objeções dentro do prazo processual. Se o devedor apresentar objeções e o tribunal as considerar, a ordem judicial pode ser cancelada e o credor pode continuar a recuperação no processo judicial ordinário.

Se o devedor não apresentar objeções, reconhecer a dívida ou se o tribunal recusar o cancelamento da ordem, o credor recebe uma segunda via da ordem judicial e pode apresentá-la para execução. O risco prático deste procedimento é que, se o devedor se defender ativamente e contestar os documentos, o credor ainda poderá ter de passar para um processo ordinário. Por isso, a ordem judicial é mais útil quando as provas escritas da dívida são fortes.

Uma opção separada é o procedimento para pedidos de pequeno valor. Aplica-se a pedidos pecuniários quando o pedido principal não excede dez salários médios mensais previstos para a economia na data de apresentação do pedido ao tribunal. Juros, penalidades, custas judiciais e outros valores acessórios não são considerados no cálculo desse limite. Em 2026, o salário médio mensal previsto para a economia moldava é de 17 400 lei moldavos, pelo que o limite indicativo para pedidos de pequeno valor é de 174 000 lei moldavos para o pedido principal.

O procedimento para pedidos de pequeno valor é principalmente escrito. O tribunal examina os documentos sem obrigação de realizar audiência pública, mas pode convocar as partes se considerar necessário ou se deferir o pedido de uma parte para exame em audiência. Este procedimento é útil para dívidas de menor valor quando o pedido é comprovado por contrato, faturas, documentos de prestação, documentos de entrega, correspondência e cálculo da dívida, sem exigir perícia complexa ou explicações orais extensas.

O processo judicial ordinário aplica-se quando a dívida é contestada e o tribunal deve examinar provas, cálculos, qualidade do cumprimento contratual, poderes dos representantes ou razões do atraso no pagamento. O pedido é normalmente acompanhado por contrato, faturas, documentos de prestação, documentos de entrega, comprovativos de pagamento, correspondência, pedidos de pagamento, provas de reconhecimento da dívida e cálculo de juros ou penalidades.

Não existe prazo fixo para apreciação do caso pelo tribunal de primeira instância, mas a duração do processo deve ser razoável, tendo em conta a complexidade do caso, o comportamento das partes e a importância do processo para os participantes. Se uma parte considerar que existe risco de violação do prazo razoável, pode requerer a aceleração da apreciação do caso.

O processo judicial na Moldávia decorre em língua romena. Por isso, o credor estrangeiro deve preparar antecipadamente traduções certificadas para romeno se o contrato, as faturas, a correspondência ou outros documentos estiverem redigidos noutra língua. A decisão do tribunal de primeira instância torna-se definitiva se não for recorrida dentro do prazo previsto na lei. Na parte dispositiva, o tribunal também pode determinar os juros que o devedor deve pagar em caso de atraso no cumprimento da decisão judicial.

Se for interposto recurso, este deve ser apreciado dentro de um prazo razoável. A decisão do tribunal de recurso é reconhecida como definitiva a partir do momento da sua adoção.

Da decisão do tribunal de recurso cabe novo recurso para o Supremo Tribunal de Justiça no prazo de dois meses a contar da data da sua adoção. A legislação processual permite suspender a execução de uma decisão do tribunal de primeira instância ou do tribunal de recurso, desde que o requerente deposite uma garantia na conta do oficial de justiça. A decisão do tribunal de cassação entra em vigor no momento da sua proclamação.

Em litígios transfronteiriços, o credor nem sempre precisa de iniciar um novo processo na Moldávia. Se já tiver sido obtida uma decisão judicial no estrangeiro, pode ser necessário pedir o seu reconhecimento e a autorização para execução forçada na Moldávia. As decisões judiciais estrangeiras, incluindo acordos aprovados por tribunal, podem ser reconhecidas e executadas na República da Moldávia quando isso estiver previsto por tratado internacional aplicável ou com base no princípio da reciprocidade.

Para a execução de uma decisão estrangeira, é importante que a decisão seja definitiva segundo o direito do Estado em que foi proferida, que o devedor tenha sido devidamente notificado no processo estrangeiro e que a execução não viole a ordem pública da Moldávia. Uma decisão judicial estrangeira pode ser apresentada para execução na Moldávia no prazo de 3 anos a contar da data em que se tornou definitiva segundo o direito do Estado de origem.

O credor normalmente deve preparar a decisão, a confirmação de que ela é definitiva e executável, os documentos que comprovem a notificação adequada do devedor e uma tradução certificada para romeno. Dependendo do país de origem dos documentos, também pode ser relevante a apostila, a legalização consular ou um tratado internacional que elimine essas formalidades.

Se a dívida não for confirmada por um tribunal estatal, mas por uma sentença arbitral, aplica-se o procedimento de reconhecimento e execução de sentença arbitral estrangeira. A Moldávia é parte na convenção sobre reconhecimento e execução de sentenças arbitrais estrangeiras e aplica-a, com base na reciprocidade, às sentenças proferidas no território de outro Estado parte. Para o pedido, normalmente são necessários o original ou uma cópia certificada da sentença arbitral, a convenção de arbitragem, a prova do caráter vinculativo da sentença e uma tradução certificada.

Os principais riscos de recusa costumam estar relacionados com a validade da convenção de arbitragem, a notificação adequada da parte, o respeito pelos limites da convenção de arbitragem, a regularidade do procedimento, eventual anulação da sentença no Estado da arbitragem, a possibilidade de o litígio ser resolvido por arbitragem e a compatibilidade da execução com a ordem pública da Moldávia.

Quando a decisão se torna definitiva e executável, o credor deve obter o título executivo e apresentá-lo ao oficial de justiça. O título executivo pode ser apresentado para execução no prazo de 3 anos. Nesta fase, nem sempre basta entregar formalmente o documento. O credor deve preparar antecipadamente informações sobre contas bancárias, bens, créditos perante terceiros, garantias, contrapartes e outros ativos do devedor, porque o resultado prático da recuperação depende frequentemente da rapidez com que os bens penhoráveis são identificados.

No processo de execução, o oficial de justiça atua dentro dos limites do título executivo e das normas de execução. Para o credor, podem ser relevantes não apenas a dívida principal, mas também juros, penalidades, despesas e outros valores previstos na decisão, na lei ou nos cálculos apresentados durante a execução. Se o título executivo indicar um prazo, esse prazo é considerado; se nenhum prazo for indicado, a execução deve ocorrer dentro de um período razoável, conforme a natureza do pedido e os ativos disponíveis.

Os pedidos do credor podem ser satisfeitos por meio da penhora de contas bancárias e levantamento de valores, execução sobre bens do devedor, venda ou administração de bens penhorados, bem como execução sobre dinheiro ou bens devidos ao devedor por terceiros. Se o devedor atua por meio de pessoas relacionadas, possui créditos contra clientes ou utiliza bens formalmente registados em nome de outras pessoas, essas circunstâncias devem ser analisadas antes do início da execução, para evitar perda de tempo depois da emissão do título executivo.

Se a execução ordinária não produzir resultado e o devedor apresentar sinais de insolvência ou endividamento excessivo, o credor pode avaliar a abertura de um processo de insolvência. Na Moldávia, o credor pode apresentar um pedido inicial quando tiver interesse legítimo, puder provar o seu crédito e indicar os fundamentos para a abertura do processo. O pedido deve ser acompanhado de documentos que confirmem a obrigação, o valor da dívida, o vencimento do pagamento, os fundamentos do processo e a notificação prévia do devedor e da autoridade fiscal.

A falência ou a reestruturação não substitui automaticamente o processo de execução. Esta via é útil quando o crédito é significativo, o devedor não consegue pagar, os ativos devem ser distribuídos entre vários credores ou a execução individual não oferece resultado real. Durante o processo, também pode surgir a questão da responsabilidade dos administradores, sócios ou pessoas que controlam o devedor, se a insolvência estiver ligada à transferência de ativos, operações simuladas, violações contabilísticas ou outras condutas prejudiciais aos credores.

Também devem ser consideradas as consequências jurídicas do incumprimento intencional de uma decisão judicial. O artigo 320 do Código Penal da Moldávia prevê responsabilidade pelo incumprimento ou evasão da execução de uma decisão judicial nos casos previstos na lei. Este mecanismo não substitui a cobrança civil nem o processo de execução, mas pode ser relevante quando, depois de obtida uma decisão judicial e iniciada a execução, a conduta do devedor ou das pessoas responsáveis demonstra intenção deliberada de evitar o cumprimento do ato judicial.

Se precisar cobrar uma dívida na Moldávia, a Grandliga pode ajudar a analisar os documentos, os prazos de prescrição, a situação do devedor, o procedimento judicial aplicável, as perspetivas de execução, a possibilidade de reconhecimento de uma decisão judicial ou arbitral estrangeira e os riscos de insolvência do devedor. Em assuntos internacionais, o apoio pode incluir análise do contrato, preparação do pedido de pagamento, elaboração de documentos processuais, acompanhamento nas fases judicial e de execução, avaliação dos ativos do devedor e escolha de uma estratégia compatível com a natureza do crédito, o direito aplicável e as possibilidades reais de recuperação.

05.07.2024
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