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Cobrança de dívidas no Egito

O procedimento de cobrança de dívidas no Egito começa com uma análise dos indicadores financeiros do devedor, do seu ramo de actividade, do histórico da empresa, da disponibilidade de provas documentais da dívida, dos processos judiciais em curso e dos procedimentos de execução, bem como da possibilidade de contestação a dívida. Essa análise forma a estratégia que será utilizada para quitar a dívida.

Se o devedor não tiver processos judiciais em andamento ou decisões judiciais não cumpridas sobre cobrança de dívidas, e ele estiver ativamente envolvido em suas atividades, é aconselhável passar para a etapa de recuperação de dívida extrajudicial não formal.

Esta fase envolve negociações ativas com o devedor para chegar a um acordo sobre o pagamento dos créditos do credor ou outras opções de liquidação possíveis (por exemplo, devolução de bens, transferência de dívida para terceiros, troca de serviços ou bens).

A interação com o devedor inicia-se imediatamente após o envio da notificação por correio, e-mail, telefone ou mensageiros instantâneos. Este processo envolve comunicação intensa com o devedor, a fim de exercer pressão constante. A principal tarefa é estabelecer contacto com os principais decisores para conseguir o pagamento rápido da dívida.

O prazo médio para cobrança extrajudicial informal é de até 60 dias (exceto nos casos em que tenha sido acordado parcelamento para amortização da dívida). Caso esta etapa não traga os resultados esperados, ou após uma análise inicial fique claro que não é aplicável, deverá proceder à recuperação judicial.

Antes de iniciar uma ação legal, você deve prestar atenção ao prazo de prescrição. O prazo de prescrição no Egito para obrigações é de 15 anos a partir da data em que a obrigação se torna devida. Além disso, se o prazo para cumprimento da obrigação depender da vontade do credor, o prazo de prescrição começa a ser calculado a partir do momento em que o credor declara a sua vontade. O prazo de prescrição pode ser interrompido nos casos em que o devedor tenha reconhecido a dívida de forma indireta ou direta.

A falta do prazo de prescrição não impede o credor de recorrer ao tribunal, mas se o devedor requerer ao tribunal a aplicação das consequências do não cumprimento do prazo, o pedido será negado.

A legislação egípcia prevê dois tipos de cobrança de dívidas através dos tribunais: através da emissão de uma ordem judicial e por meio do processo ordinário.

O procedimento de emissão de ordem judicial é aplicável aos pedidos de cobrança de dívida, o que é comprovado por documento de dívida. Para realizar este procedimento, o credor deve instruir o devedor a efetuar o pagamento no prazo mínimo de cinco dias e, caso o devedor não cumpra esta obrigação, dirigir-se ao tribunal com a petição correspondente. A ordem deve ser emitida no prazo de três dias após o recebimento da petição do credor. Durante o prazo determinado, caso o juiz tenha alguma imprecisão/dúvida, este poderá abster-se de emitir despacho e marcar reunião para apreciação do caso em juízo, instruindo o credor a notificar o devedor.

Uma ordem emitida é considerada inexistente até que o devedor seja notificado dela. No prazo de 10 dias a contar da data de recepção da ordem, o devedor tem o direito de apresentar reclamação contra a mesma. Neste caso, a reclamação deve ser justificada, e não apresentada com o objetivo de atrasar o processo. Caso contrário, a reclamação será considerada inválida por defeito.

O procedimento geral dos processos judiciais é realizado através da apresentação de uma reclamação em tribunal. Antes de entrar com uma ação judicial, as partes têm o direito de concordar que a decisão do tribunal de primeira instância será final. A decisão do tribunal de primeira instância adquire força de decisão definitiva se não for objeto de recurso no prazo de quarenta dias a contar da data da sua adoção. Se a decisão do tribunal de primeira instância foi proferida com base em dolo cometido pelo oponente ou na utilização de documento falso, o prazo para recurso começa a contar a partir do dia em que tal circunstância foi descoberta.

Se for interposto recurso, este deverá ser considerado dentro de um prazo razoável. A decisão do tribunal de recurso é reconhecida como definitiva a partir do momento da sua adoção. Da decisão do tribunal de recurso cabe recurso de cassação no prazo de 60 dias. A interposição de recurso de cassação não suspende a execução da decisão recorrida. No entanto, o tribunal de cassação pode ordenar uma suspensão temporária da execução da decisão se o requerente o solicitar e se existir a preocupação de que a execução da decisão possa causar danos graves e irreparáveis. A decisão do tribunal de cassação entra em vigor a partir do momento em que é anunciada e não é susceptível de recurso posterior.

Após recepção da decisão judicial definitiva, caso o devedor se recuse a cumprir voluntariamente a decisão judicial, deve ser apresentado ao oficial de justiça um mandado de execução para execução. Os créditos do credor com base no mandado de execução podem ser satisfeitos mediante a apreensão das contas do devedor e a baixa delas; apreensão de bens do devedor com posterior venda ou gestão forçada dos mesmos; execução hipotecária de fundos ou bens devidos ao devedor por terceiros; retirada de frutos e colheitas (mas não menos de 45 dias antes do seu amadurecimento); confisco de ações e dividendos com sua posterior venda.

Uma opção alternativa para a cobrança de dívidas pode ser o processo de falência. O credor de uma dívida comercial ou civil indiscutível tem o direito de iniciar o processo de falência se o devedor deixar de pagar. O credor com dívida vencida tem o direito de solicitar a falência, desde que o devedor esteja ignorando o credor, fechando suas redes de comércio/escritórios ou realizando ações que prejudiquem o credor.

Esse procedimento é interessante porque se a empresa devedora for declarada falida, todos os seus fundadores/sócios deverão ser declarados falidos, inclusive o participante que saiu da empresa após ela ter parado de pagar. Além disso, o tribunal tem o direito de declarar a falência toda pessoa que, sob o pretexto de tal empresa devedora, exerceu atividades comerciais às suas próprias custas e administrou os fundos da empresa, como se fossem seus próprios fundos. Tais oportunidades influenciam estes indivíduos a pagar a dívida da empresa, a fim de evitar a falência, com todas as consequências daí decorrentes.

Além disso, se se verificar que os activos da empresa são insuficientes para pagar pelo menos 20% das suas dívidas, o tribunal pode ordenar que todos ou alguns dos administradores, em conjunto ou de forma independente, paguem todas ou algumas das dívidas da empresa, a menos que provem que eles exerceram diligência nos assuntos de gestão da empresa.

No âmbito do processo de falência, o administrador da falência pode exigir que os proprietários das empresas paguem o saldo remanescente das suas ações no capital autorizado (que ainda não pagaram), mesmo que o pagamento não seja devido. Neste caso, o tribunal reserva-se o direito de limitar esse pagamento ao valor necessário para saldar as dívidas da empresa.

Uma alavanca adicional para a cobrança de dívidas, na presença de determinadas circunstâncias, pode ser a criação de uma ameaça de responsabilização criminal dos controladores do devedor ou do próprio devedor.

Os artigos 328 a 334 do Código Penal da República Árabe do Egito preveem uma série de punições (multa ou prisão) por diversos tipos de falência fraudulenta, incluindo: falência fraudulenta (se o devedor apropriar-se ou ocultar parte de seus fundos em detrimento dos credores; se o devedor reconhecer ou se declarar devedor de quantias que na realidade não deve; se o devedor ocultar ou destruir documentos contábeis); falência por negligência (se o devedor causar prejuízos aos credores devido à sua indecisão ou negligência grosseira); fraude na falência (se os administradores da empresa cometerem ações que levem à falência da empresa, como distribuição de lucros fictícios ou obtenção de mais do que o permitido nos regulamentos da empresa).

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18.11.2024
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