Main img Cobrança de dívidas no Quirguistão

Cobrança de dívidas no Quirguistão

O procedimento de cobrança de dívidas no Quirguistão começa com uma análise dos indicadores financeiros do devedor, do seu ramo de actividade, do histórico da empresa, da disponibilidade de provas documentais da dívida, dos processos judiciais em curso e dos procedimentos de execução, bem como da possibilidade de contestação a dívida. Essa análise forma a estratégia que será utilizada para quitar a dívida.

Se o devedor não tiver processos judiciais em andamento ou decisões judiciais não cumpridas sobre cobrança de dívidas, e ele estiver ativamente envolvido em suas atividades, é aconselhável passar para a etapa de recuperação de dívida extrajudicial não formal.

Esta fase envolve negociações ativas com o devedor para chegar a um acordo sobre o pagamento dos créditos do credor ou outras opções de liquidação possíveis (por exemplo, devolução de bens, transferência de dívida para terceiros, troca de serviços ou bens).

A interação com o devedor inicia-se imediatamente após o envio da notificação por correio, e-mail, telefone ou mensageiros instantâneos. Este processo envolve comunicação intensa com o devedor, a fim de exercer pressão constante. A principal tarefa é estabelecer contacto com os principais decisores para conseguir o pagamento rápido da dívida.

O prazo médio para cobrança extrajudicial informal é de até 60 dias (exceto nos casos em que tenha sido acordado parcelamento para amortização da dívida). Caso esta etapa não traga os resultados esperados, ou após uma análise inicial fique claro que não é aplicável, deverá proceder à recuperação judicial.

O prazo de prescrição no Quirguistão é de 3 anos. A lei proíbe a alteração do período especificado por acordo das partes. Se o prazo de prescrição não tiver sido cumprido, o credor tem o direito de entrar com uma ação judicial para cobrar a dívida, mas se o devedor apresentar um pedido por escrito ao tribunal para aplicar as consequências do descumprimento do prazo de prescrição, então a reclamação será será negado. A prescrição é interrompida em razão da prática, pelo devedor, de atos que indiquem o reconhecimento da dívida. Após a interrupção do prazo, o prazo de três anos começa a ser calculado novamente.

Antes de ir a tribunal, deve prestar atenção ao procedimento de resolução do litígio, que as partes prevêem no contrato. Portanto, se as partes estabelecerem que os litígios surgidos serão resolvidos através de um procedimento de liquidação de sinistros, então, antes de apresentar uma reclamação em tribunal, é necessário cumprir a condição estipulada. Caso contrário, o tribunal devolverá a declaração de reclamação.

A legislação do Quirguistão prevê dois tipos de cobrança de dívida por meio do tribunal: a emissão de uma ordem judicial e o procedimento ordinário de julgamento.

O procedimento de emissão de ordem judicial é aplicável aos pedidos de cobrança de dívidas baseados em operações celebradas por escrito simples e desde que não haja disputa sobre o direito. Para a realização deste procedimento, deve ser apresentado ao tribunal um requerimento adequado, após o qual o tribunal emitirá uma ordem judicial no prazo de três dias, sem julgamento ou convocação das partes. Se o devedor não apresentar oposição no prazo de 10 dias a contar da recepção da ordem judicial, o tribunal emite ao credor uma cópia da ordem judicial de cobrança da dívida, que pode ser apresentada para execução coerciva. Se o devedor apresentar uma objeção, o tribunal emite uma decisão de anulação da ordem judicial e, nesse caso, o processo deve ser analisado no procedimento ordinário.

O procedimento ordinário judicial é realizado por meio da apresentação de uma petição ao tribunal. Neste caso, o autor é obrigado, antes de apresentar a reclamação em tribunal, a entregar ao arguido uma cópia da mesma com todos os anexos. O prazo para apreciação do caso no tribunal de primeira instância é de três meses a contar da data de recepção do pedido em tribunal. A decisão do tribunal de primeira instância entra em vigor no prazo de trinta dias a contar da data da sua adoção, salvo recurso.

Um recurso contra uma decisão judicial de acordo com o procedimento geral é considerado no prazo de dois meses a partir da data em que o processo de recurso é recebido pelo tribunal. Como resultado da apreciação da reclamação, o tribunal de recurso toma uma decisão, que entra em vigor a partir do momento da sua adoção.

Cada uma das partes no caso tem o direito de interpor recurso de cassação junto do Supremo Tribunal da República do Quirguistão no prazo de três meses após a entrada em vigor da decisão recorrida do tribunal de recurso. Simultaneamente, o interessado pode apresentar um pedido de suspensão dos efeitos da decisão do tribunal de primeira instância e/ou da decisão do tribunal de recurso que tenha entrado em vigor. O recurso de cassação é apreciado no prazo de dois meses a partir da data de recebimento do caso pelo Supremo Tribunal.

Após a decisão judicial tornar-se efetiva, caso o devedor se recuse a cumpri-la voluntariamente, deve-se obter um título executivo no tribunal e apresentá-lo ao oficial de justiça. O credor tem o direito de apresentar o título executivo dentro de três anos a partir da data em que a decisão judicial se tornou efetiva.

De acordo com a Lei “Sobre o Estatuto dos Oficiais de Justiça e do Processo de Execução”, o prazo de execução coerciva é de quatro meses a contar da data de recepção do título de execução pelo oficial de justiça, mas na realidade é muito mais longo. A satisfação das exigências do credor no processo de execução coerciva é efectuada através da apreensão de fundos e sua baixa, apreensão de bens com posterior venda, apreensão de títulos e valores a receber.

Se o devedor não conseguir garantir o cumprimento das exigências do credor num montante de pelo menos mil indicadores calculados, torna-se possível iniciar o processo de falência do devedor. Este procedimento é interessante porque envolve a responsabilização subsidiária dos controladores do devedor pelas dívidas da empresa, caso o devedor não possua bens para saldar a dívida e, ao mesmo tempo, ele próprio não tenha iniciado o processo de falência, ou a insuficiência de bens para saldar a dívida é causada pela atuação da administração do devedor.

Uma forma alternativa de cobrança de dívidas é responsabilizar criminalmente os funcionários do devedor, de acordo com o art. 370 do Código Penal da República do Quirguistão por incumprimento de uma decisão judicial que entrou em vigor.

Se você tiver alguma dúvida ou precisar de suporte em relação à cobrança de dívidas internacionais no Quirguistão, nossa empresa está pronta para fornecer nossa assistência especializada para resolver efetivamente seu problema de dívida. Entre em contato conosco para receber informações adicionais e suporte profissional de nossos especialistas.

18.06.2024
250